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Construí o wiki LLM do Karpathy duas vezes — uma como código, outra como .md. Veja o que cada um abre mão.

O mesmo projeto, duas implementações. Uma em Python, outra em Markdown puro. O que cada escolha revela sobre como organizamos conhecimento técnico — e para quem.

Leandro Bernardo17 de mai. de 2026 · 8 min de leitura
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Construí o wiki LLM do Karpathy duas vezes — uma como código, outra como .md. Veja o que cada um abre mão.

Andrej Karpathy esboçou a ideia de uma wiki sobre LLMs — uma enciclopédia técnica, linkada, de conceitos como atenção, tokenização, embeddings e RLHF. A ideia é deceptivamente simples: um conjunto de verbetes curtos que explicam os blocos fundamentais dos modelos de linguagem, sem depender de um paper específico para se sustentar. Decidi construir. E depois construir de novo, de um jeito diferente.

A primeira implementação foi em código. Um conjunto de scripts Python que organiza as entradas, gera as páginas, mantém o índice atualizado automaticamente. A vantagem é clara: escala, consistência estrutural, facilidade de atualização em lote. Mas a desvantagem também aparece rápido: para ler uma entrada, você precisa rodar o ambiente. Para editar, você não abre o texto — você abre um arquivo de dados, e o texto é consequência.

"A pergunta certa não é qual abordagem é melhor — é: para quem é isso?"

A segunda foi um arquivo .md. Toda a wiki em um único Markdown. Você abre e lê. Edita com qualquer editor de texto. Manda para alguém sem nenhuma instrução de instalação. Mas o custo é real: cada novo verbete é manual, o índice precisa ser mantido à mão, e cruzar referências entre entradas exige copiar e colar.

O que cada abordagem abre mão diz mais sobre o problema do que sobre a solução. Código abre mão de portabilidade imediata e transparência. Markdown abre mão de automação e integridade estrutural. Ambos são corretos. A pergunta certa não é qual é melhor — é: para quem é isso? Para um desenvolvedor iterando no repositório, o código faz sentido. Para um colega que vai ler numa viagem, o Markdown.

Construir os dois foi, acima de tudo, um exercício de perceber que a forma como organizamos conhecimento técnico não é neutra. Cada formato carrega suposições sobre quem vai usar, em que contexto, e com que nível de infraestrutura disponível. Karpathy propôs a wiki. Mas a arquitetura da wiki — essa escolha é sua.

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O texto completo (em inglês) está publicado externamente. Esta é uma versão resumida em português, mantida aqui no portfolio para leitura rápida e referência.

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